sexta-feira, 18 de junho de 2010

Perspectivas: JPMorgan reforça otimismo ao Brasil e revela suas apostas

Por: Nathália A. Terra Pereira
18/06/10 - 13h50
InfoMoney


SÃO PAULO - Em conference call realizada na manhã desta sexta-feira (18) em Nova York, os estrategistas Ben Laidler e Emy Shayo do JPMorgan revelaram suas novas perspectivas para a economia e para os mercado latino-americanos, reforçando forte otimismo com o Brasil.

De forma geral, Laidler e Shayo mostraram-se confiantes quanto à recuperação econômica global, sobretudo na América Latina, onde o grande destaque é o Brasil. Quanto ao mercado de ações, o aviso é claro: “os papéis estão muito baratos e atrativos”.

Economia global e a Europa
O primeiro ponto abordado por Laidler foi o cenário macroeconômico internacional. “De forma geral, continuamos observando uma recuperação sólida ante à crise financeira”, afirma o estrategista. Já sua opinião quanto à Europa é tomada por maior cautela.

“A crise europeia é quase um caso à parte. Nós reconhecemos que os riscos de uma deterioração fiscal generalizada no continente cresceram, mas ainda assim, acreditamos que a situação seja contornável”, diz Laidler.

Quanto ao impacto sobre a América Latina, “ele seria muito pequeno, ao menos em nosso principal cenário”. Isto porque a equipe do JPMorgan não descarta um cenário alternativo, mais pessimista, no qual a crise fiscal europeia poderia impactar as commodities - pesando, desta forma, sobre as economias latino-americanas.

Otimismo à economia brasileira
Em seguida, a dupla de estrategistas revelou suas perspectivas para a economia brasileira, cujo PIB (Produto Interno Bruto) deve crescer em torno de 6% esse ano e 3% em 2011. “De forma geral, estamos otimistas”, afirma Shayo. A melhora na percepção da equipe quanto ao País deve-se, segundo Shayo, à dissipação de temores em dois fronts: o inflacionário e, consequentemente, de política monetária; e o político, tendo em vista as eleições presidenciais.

“Temos observado um movimento de estabilização nas expectativas inflacionárias do mercado, antes crescentes. Dessa forma, nossos temores de um aperto monetário possivelmente maior que o esperado vêm se dissipando”, afirma Shayo, para quem o ciclo de elevações na taxa Selic promovido pelo Copom (Comitê de Política Monetária) deva estar já pela metade – cabe lembrar que, até agora, o juro sofreu dois aumentos consecutivos de 75 pontos-base cada, encontrando-se atualmente a 10,25% ao ano.

Paralelamente, à medida que as eleições se aproximam, diminuem os temores do JPMorgan quanto à sucessão da cadeira no Planalto. “Temos conhecido melhor as propostas dos principais candidatos e não acreditamos em uma grande recepção negativa do mercado, seja qual for o ganhador”, afirma Shayo.

Por fim, a estrategista revela suas projeções para o câmbio. Para Shayo, o dólar comercial deve fechar 2010 em torno de R$ 1,80, ao passo que ao final do ano que vem, a moeda norte-americana deve estar cotada a R$ 1,90.

Montando a estratégia no mercado
Toda a análise feita pelo JPMorgan do cenário macroeconômico serve como fundamento para a construção de uma estratégia quanto ao mercado de ações. Considerando o bom momento econômico vivido pelo continente latino-americano, a visão dos estrategistas não poderia ser diferente de uma guiada por forte otimismo.

Se as projeções à América Latina já são positivas, às relativas ao Brasil o são ainda mais. “Papéis domésticos, atrelados à economia brasileira, são nossa principal recomendação de investimento. As ações estão muito descontadas e desfrutam de alto potencial”, afirma a dupla de estrategistas.

Entre tais “ativos domésticos”, caracterizados pela maior dependência ao desempenho econômico interno, o JPMorgan destaca os setores imobiliário e financeiro, “extremamente atrativos”. Em contrapartida, recomendam distância de papéis ligados às commodities, “ao menos por ora, enquanto as incertezas não se dissipam”.