BTOW3
Rubens C. D. de Souza
Aqui você poderá acompanhar diariamente análises sobre a atuação de tubarões e sardinhas no mercado de capitais brasileiro, através de gráficos e fundamentos empresariais.
SÃO PAULO - Por acreditar num crescimento mais forte em 2012 e em uma maior resiliência no Brasil em relação à crise da dívida soberana na Zona do Euro, o HSBC realizou algumas mudanças importantes na lista de ações para o primeiro trimestre do ano. Os analistas Alexandre Gartner e Francisco Vanzolini acrescentaram algum risco às recomendações, acreditando que os nomes de beta maior estarão em uma posição mais favorável em relação à recuperação do crescimento no segundo semestre deste ano.
Desse modo, os analistas focam em setores cíclicos (com demanda estável, independente da época do ano) domésticos, ao invés de apostarem nas companhias mais defensivas. Gartner e Vanzolini acrescentaram varejistas e retiraram as empresas de shopping centers e credenciadoras, que são mais defenvias, revertendo a mudança feita em setembro do ano anterior.
Além disso, o banco recolocou as companhias de construção civil na lista, um setor que possui classificação underweight (desempenho abaixo da média do mercado) há mais de um ano. Por fim, os analistas acrescentaram exposição a commodities ciclícas, como minério de ferro e petróleo.
Novo portfólio
Foram retiradas as ações da Cielo (CIEL3), SLC Agrícola (SLCE3), São Martinho (SMTO3), Brasil Foods (BRFS3), CCR (CCRO3) e AES Tietê (GETI4). Em compensação, foram acrescentados ou mantidos os papéis do Itaú Unibanco (ITUB4), BM&F Bovespa (BVMF3), OGX (OGXP3), Vale (VALE3;VALE5) e PDG (PDGR3).
No setor de consumo e varejo, figuram as ações da Odontoprev (ODPV3), Marisa (AMAR3) e Lojas Renner (LREN3).
| Empresa | Código | Preço-Alvo | Upside* |
| Lojas Marisa | AMAR3 | R$ 34,00 | 81,82% |
| Lojas Renner | LREN3 | R$ 78,00 | 33,33% |
| BM&F Bovespa | BVMF3 | R$ 11,60 | 11,32% |
| PDG Realty | PDGR3 | R$ 14,00 | 95,26% |
| Odontoprev | ODPV3 | R$ 33,50 | 14,73% |
| Itaú Unibanco | ITUB4 | R$ 41,00 | 12,63% |
| OGX Petróleo | OGXP3 | R$ 19,50 | 24,60% |
| Vale | VALE3 | R$ 48,50 | 13,82% |
*Em relação ao fechamento de 23 de janeiro de 2012
Preferências
De acordo com os analistas, as ações da Marisa, PDG e Itaú Unibanco se beneficiarão da retomada cíclica do Brasil no segundo semestre do ano. A Marisa é a preferida do banco nesse ambiente de recuperação, apesar de ter sofrido com a desaceleração do consumo no segundo semestre do ano passado - o que pode continuar a acontecer no primeiro trimestre. Os analistas destacam que a companhia adotou medidas para se ajustar à esse cenário. Essas medidas envolvem o controle de estoques e a medida de cortes de custos.
Já a PDG marca a entrada do setor de construção civil nas preferências do HSBC. "Acreditamos que grande parte do choque de realidade no setor com relação a estouros de custos e, consequentemente, pressões sobre margens, já está precificada". Além disso, as empresas parecem ter abandonado a estratégia de crescer a qualquer preço, passando a uma atitude mais conservadora e razoável em termos de caixa, afirmam.
A opção de manter o Itaú Unibanco na lista do HSBC envolve a expectativa de algum potencial de alta nas ações, mesmo após apresentar um desempenho bastante sólido no quarto trimestre de 2011. Além disso, os analistas acreditam que os ativos do banco estão precificados de forma anormal, tanto em termos de preço sobre o lucro da ação como de preço sobre o valor patrimonial.
A melhoria no sentimento econômico do Brasil e o alívio no setor, após os empréstimos para instituições financeiras na Europa realizadas pelo BCE (Banco Central Europeu), também são fatores positivos, avaliam.
Brasil está barato?
Apesar do mercado indicar que os lucros por ação das companhias estão baixos, a observação mais correta é que as ações das companhias brasileiras não estão assim tão baratas.
Apesar do preço sobre o lucro das ações estar em cerca de 9 vezes, frente aos 10,3 vezes dos últimos três anos, há duas armadilhas ao comparar os múltiplos atuais do Brasil aos anteriores. São eles a duração e a magnitude do crescimento do País e a taxa provável do crescimento do lucro das empresas. Segundo os analistas, é improvável que o Brasil cresça mais de 4,5% ao ano a níveis sustentáveis, com o Brasil entrando em um ciclo de recuperação curto em 2012, e sem uma recuperação em vários anos.
Para os analistas, fica claro que o mercado ajustou para baixo o múltiplo preço sobre o lucro, de forma a refletir uma perspectiva mais cautelosa em relação ao lucro por ação. "Portanto, não concordamos com a opinião de que o mercado brasileiro esteja barato em sua totalidade e pronto para uma recuperação. O ponto de virada terá que acontecer através de uma perspectiva mais otimista para o crescimento dos lucros por ação", avaliam.
Os setores de bens de consumo, varejo e de construção civil são aqueles em que há maior opotunidade de aumento dos lucros ao longo do ano, diz o HSBC. Assim, os múltiplos em que os ativos desses setores estão sendo negociados são atrativos. Porém, a recuperação cíclica nos lucros pode ser positiva, mas não significa que o mercado irá recuperar em sua totalidade. Assim, nem todos os múltiplos das ações das companhias brasileiras estariam atrativos.
SÃO PAULO - Neste ano, o Brasil tende a continuar sofrendo, pelo menos inicialmente, as consequências de um menor crescimento global, mas a tendência é de certa recuperação após o primeiro trimestre, com ritmo mais consistente a partir da segunda metade do ano. Esta é a opinião do BB investimentos, que traça suas perspectivas para a conjuntura macroeconômica brasileira nos doze próximos meses e, por consequência, indica os melhores setores e papéis para apostar em 2012.
"A piora do cenário internacional, decorrente da crise da dívida soberana na Zona do Euro a partir do segundo semestre de 2011, ainda se faz presente, com perspectivas gerais que seus efeitos tendem a acentuar no primeiro trimestre de 2012, pressionando os mercados", diz a equipe de análise do banco, em relatório.
Segundo o documento, depois de março, a recuperação será impulsionada pelos efeitos das baixas anteriores da taxa Selic, da trajetória de declínio da inflação e com a recomposição de estoques pelas empresas. As expectativas de uma retomada mais forte no segundo semestre têm como fundamento as possibilidades de que mais medidas pró-ativas do Governo e a continuidade do afrouxamento monetário pelo Banco Central, desde o início do ano, deverão surtir efeito.
Para o BB, a evolução do consumo privado e a disponibilidade de crédito permanecerão como drivers do crescimento neste ano. "Ainda acreditamos que o País deverá ascender dentro da escala de grau de investimento, seguindo as estimativas de crescimento acima da média para o biênio 2012-2013, juntamente com outros emergentes como China e Índia", acrescentam os especialistas.
Top picks
Com base nessas premissas, os analistas indicam as projeções e recomendações setoriais da bolsa brasileira, cujo principal índice, o Ibovespa, deverá encerrar o ano a 67 mil pontos no que depender da visão do BB.
Dos onze setores analisados pela equipe, seis receberam perspectivas positivas e cinco receberam visões neutras. Dezessete papéis foram eleitos como os top picks; entre eles, as ações de blue chips como Petrobras (PETR3; PETR4), Vale (VALE3; VALE5) e Bradesco (BBDC3; BBDC4).
Confira a tabela abaixo:
| Setor | Viés | Top Picks |
|---|---|---|
| Agronegócio | Positivo | BR Foods (BRFS3), Cosan (CSAN3) |
| Bancos | Positivo | Bradesco (BBDC3; BBDC4) |
| Bens de capital | Neutro | Iochpe-Maxion (MYPK3) |
| Construção civil | Positivo | EzTec (EZTC3); Cyrela (CYRE3) |
| Logística e Transportes | Positivo | CCR (CCRO3); Localiza (RENT3) |
| Mineração | Neutro | Vale (VALE3; VALE5) |
| Papel e Celulose | Neutro | Klabin (KLBN3; KLBN4) |
| Petróleo, Gás e Petroquímico | Positivo | Petrobras (PETR3; PETR4) |
| Siderurgia | Neutro | Gerdau (GGBR3; GGBR4) |
| Telecomunicações | Neutro | Vivo - controlada por Telefônica Brasil (VIVT4) |
| Varejo e Consumo | Positivo | Cia. Hering (HGTX3); Lojas Renner (LREN3); Natura (NATU3); Raia Drogasil (RADL3) |
SÃO PAULO - Após reunião de analistas com a Usiminas (USIM5), os especialistas do Santander, Felipe Reis e Alex Sciacio, seguem pessimistas com a empresa e reiteraram a recomendação de performance abaixo do mercado (underweight) para as ações da empresa.
"Não vemos motivo para ficarmos nem mesmo marginalmente mais otimistas em relação à empresa, considerando os fracos resultados do quarto trimestre de 2011, o momento ruim das vendas de aços planos no mercado interno, seu baixo poder de colocação de preços e os custos ainda altos", explicam os analistas.
Entre os fatores expostos pela empresa, e que contribuíram para a avaliação ruim por parte dos analistas, estão os resultados do quarto trimestre, que devem ser bastante fracos, com margem Ebitda consolidada provavelmente atingindo apenas um dígito. A alavancagem deve continuar avançando, com índice dívida líquida/Ebitda superando 3,0 vezes nos últimos três meses do ano.
"Dessa forma, a Usiminas está cogitando a possibilidade de vender alguns ativos, provavelmente a divisão de autopeças, a Automotiva Usiminas, e ativos imóveis secundários", reforçam Reis e Sciacio.
"Não esperamos qualquer melhoria significativa"
As perspectivas ruins para os resultados dos primeiros três meses de 2012 também contribuem para a análise negativa do Santander. O desempenho das vendas foi fraco em janeiro e não há espaço para alta de preços, segundo informou a empresa ao banco.
Sobre as especulações de que a Ternium faria mudanças na administração da Usiminas, os analistas comentam que "mesmo acreditando que possam ocorrer mudanças nos cargos principais, não esperamos qualquer melhoria significativa em seu desempenho operacional como resultado".
Por fim, e avaliada como a siderúrgica mais cara no Brasil pelo Santander, a dupla de analistas coloca preço alvo de Usiminas em R$ 12,00, um upside de 9,48%, frente ao último fechamento de R$10,96.